terça-feira, 14 de julho de 2026

SELEÇÃO EVANGÉLICA DE FUTEBOL

 

O desempenho do Brasil na Copa de 2026 foi humilhante. Pela primeira vez desde 1990, nossa outrora temida seleção, (que passou a ser conhecida como ‘selecinha’) deu adeus ao Mundial antes mesmo das oitavas de final.

Desolador assistir a um dos poucos motivos de orgulho nacional desabar a olhos vistos, sem que haja sinal de reversão da tendência. O traumático 7 a 1 ante a Alemanha em 2014, em pleno Mineirão, já prenunciava o descalabro que estava por vir.

Não bastasse isso, temos de passar pelo constrangimento de assistir aos vizinhos hermanos, nossos rivais de estimação, esfregarem na nossa cara talento, organização e raça.

Explicações é que não faltam. Cada brasileiro querendo dar sua opinião num país, onde de técnico de futebol e de louco todo mundo tem um pouco. O técnico italiano, as deficiências do elenco, o esquema tático, o pênalti perdido. Cada um escolhendo seu bode expiatório preferido.

Mas enquanto sobram diagnósticos em mesas de bar, programas esportivos e grupos de whatsapp, a seleção continua afundando. Se existe algum consenso é que nosso futebol deixou de ser relevante e não mete medo em ninguém. Até os africanos estão nos superando. A dura verdade é que desaprendemos de produzir craques que façam a diferença. E menos ainda montar uma equipe coesa e poderosa que imponha respeito. A impressão que dá é que somos um elenco sem fibra, sem garra, sem disposição de dar sangue pela camisa.

Em meio a tanto achismo, uma abordagem merece atenção. Um artigo publicado pelo jornal britânico The Times, debruçado em entender essa anormal queda de produtividade do mais premiado e admirado futebol do planeta, atacou a questão por um flanco inesperado. Sugeriu uma relação entre a decadência do nosso desempenho futebolístico e o crescimento da igreja evangélica no país.

A tese, no mínimo inusitada, causou rebuliço e incendiou as redes sociais, sinal inequívoco de que pisou num calo sensível. À primeira vista, pode parecer tão absurda essa relação quanto apontar a falta de pontaria dos atacantes como decorrente do movimento das marés. Mas, vencido o estranhamento inicial, vale a pena examinar a hipótese sem paixão. Uma análise, digamos, antropológica do tema pode escancarar que por trás da derrocada do nosso futebol escondem-se transformações culturais na sociedade brasileira, em especial no campo religioso, onde o credo evangélico ganhou grande número de adeptos.

Chama a atenção que a grande maioria dos convocados professa o neopentecostalismo. Ao que se estima, 20 dos 26 convocados declaram-se evangélicos.  Apesar de que correlação não prova causalidade, não dá para ignorar que a ascensão dessa corrente religiosa ocorre no mesmo período das mudanças que moldaram o futebol brasileiro. Resta entender se há relação causal entre os dois eventos.

Não se trata de afirmar que a religião levou alguém a desaprender a jogar bola. Mas se o futebol é um espelho da sociedade, não permaneceria imune às mudanças de valores e comportamentos que atingiram o país. Talvez a equipe que entrou em campo não seja apenas uma seleção em crise, mas o retrato de um país que já não dança, improvisa e desafia as regras como antigamente.

A excelência do nosso jogo em seus áureos tempos estava umbilicalmente associada à malícia, à irreverência e até à velha e folclórica malandragem. Era a ginga forjada no chão batido num campo de terra improvisado na periferia com uma bola remendada. O futebol varzeano era muito mais que uma diversão de domingo. Era uma escola, uma incubadora de craques. Fazia parte do jeito brasileiro de expressar criatividade, alegria e ousadia. Era desse caldeirão de manifestações populares que brotavam jogadores capazes de transformar uma partida num espetáculo.

Mas o Brasil mudou. O avanço das igrejas neopentecostais nas periferias conduziu a uma mudança comportamental. Aspectos típicos da cultura nacional como o carnaval, o samba, o axé e a capoeira, mal vistos pelos evangélicos, passaram a ser deixados de lado. A vibração dessas manifestações culturais foi substituída por canções de louvor a Jesus.

O tão criticado Gerson e sua máxima de ‘levar vantagem’ traduzia o jeitinho brasileiro que desconsertava o engessado futebol europeu. Não é à toa que o ‘canhotinha de ouro’, como era conhecido, exercia uma liderança silenciosa e incontestável sobre seus companheiros naquela que muitos consideram a melhor seleção de todos os tempos, a de 1970, quando o Brasil, com uma campanha invicta, atropelou a Itália com uma goleada de 4 a 1, sagrando-se tricampeão e garantindo a posse permanente da Taça Jules Rimet. Gerson cobrava atitude, botava a moçada pra correr e não baixar a cabeça para os adversários e as adversidades.

Hoje, em contraste, assistimos a uma geração mais preocupada com a construção da própria imagem e contratos milionários do que a construção de uma campanha coletiva gloriosa na arena de combate.

Paralelamente, as demonstrações públicas de religiosidade passaram a ocupar um espaço cada vez maior e os ‘atletas de Cristo’ passaram a exaltar orgulhosamente sua relação com o ente superior e dar menor importância à mundana competição esportiva.

Se o time ganhava, maravilha, graças ao Deus. Se perdia, paciência, Deus não quis. A responsabilidade saía dos pés dos jogadores e era terceirizada para aquele ente misterioso que, do alto de seu trono celestial, não torce para nenhum time.

Não se trata de afirmar que a fé torna um jogador melhor ou pior. Mas cabe indagar se a hegemonia de uma cultura religiosa que valoriza a disciplina moral, a busca pela prosperidade pessoal não acabe anestesiando a espontaneidade e a irreverência que nos distinguiam.

Um dado impressionante que passou quase despercebido, em meio ao turbilhão de críticas, merece atenção especial. Segundo estatísticas apuradas pela prestigiosa empresa OPTA, nossa seleção foi a pior em taxas de aproveitamento em dribles na fase de grupos, atrás do Haiti e de Curaçao. A última dentre as 48 classificadas! Com uma pífia taxa de aproveitamento de 34%. Ou seja, 2 em cada 3 oportunidades de confronto corpo a corpo, fomos vencidos pelo adversário. Garrincha e Pelé devem estar se remoendo em seus túmulos.

Muito mais do que um recurso técnico, o drible é uma declaração de personalidade em que o adversário é ludibriado em suas expectativas e surrupiado pela abençoada malícia.

O que temos hoje? Um elenco de atletas sem brio, ‘tementes a Deus’, sem coragem de ousar, que ao invés do enfrentamento, prezam pela obediência e pela disciplina para alcançar a bênção divina pessoal.

A arte do futebol brasileiro nasceu nos campos de várzea espalhados pelas periferias, onde os moleques aprendiam a lidar com a pelota, antes mesmo de aprender as regras do jogo. Foi nesses territórios historicamente marcados pela exclusão social que o neopentecostalismo encontrou terreno fértil para sua expansão e passou a ocupar um espaço mais amplo na vida comunitária de pessoas carentes, oferecendo-lhes promessas de ascensão social, mediante atitudes de submissão e contenção.

Foi assim que perdemos a chance de ser novamente o país do futebol. Para tornarmo-nos o ‘país da Bíblia’.

 

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

REVELADA CONVERSA SECRETA ENTRE TRUMP E PRESIDENTE DA FIFA

 


TRUMP: - Good night, Mr. Infantino. How are you?

INFANTINO: - Buonasera, my boss, em que posso servi-lo dessa vez? Um Nobel de Literatura para variar?

TRUMP: - Como vai a American Cup?

INFANTINO:- De vento em popa, sir. Como o sr. orientou, excluímos o Irã da competição antes que eles provocassem na Copa um estrago maior do que o fechamento do Estreito de Ormuz. Sem precisar prender os atletas, cancelar visto nem nada. Sua sugestão de oferecer a vaga do Irã para a Itália não deu muito certo. Não tinha como barrar os muçulmanos, eles se classificaram em primeiro nas eliminatórias asiáticas.  

TRUMP: - Forget Italy. Não quero nenhum favor para a Meloni, aquela ingrata.

INFANTINO:- Solucionamos o problema de outro jeito, sir. Bastou hospedarmos os súditos dos aiatolás no México num hotel de segunda, sem ar-condicionado nem breakfast. Contratamos um conjunto local para tocar mariachi a noite inteira na janela deles. Eles chegavam esgotados no estádio. Aproveitamos também para colocar um sonífero na água deles na hora do hydration break para deixá-los meio grogues.

TRUMP: - Good job, my friend.

INFANTINO:- Pois é, mas não foi fácil, os caras são mais complicados do que dobrar a Guarda Revolucionária Islâmica. Os desgraçados não perderam nenhum jogo na 1ª fase. Mas resolvemos de vez o assunto no mata-mata, instruindo o árbitro e o VAR a anular o gol que daria a classificação deles, inventando um impedimento. 

TRUMP: - What is ‘impedimento’? Impeachment?

INFANTINO:- Mais ou menos, boss. Deixa pra lá, qualquer hora eu explico

TRUMP: - Estava pensando que ao invés de tocar hinos estrangeiros no início dos jogos, deveriam tocar God Bless America.  

INFANTINO:- My boss, tocar os hinos nacionais é tradição, não sei se conseguimos mudar isso de uma hora pra outra.

TRUMP: - Então pelo menos deveriam abrir os jogos com uma prece ou a leitura de um texto da Bíblia para agradar nossos eleitores batistas e pentecostais.  

INFANTINO:- Mas nem todos os países professam o cristianismo, boss. Temos federações árabes, asiáticas, africanas...

TRUMP: - OK! Never mind. Vamos ao que interessa. Fiquei sabendo de algo que me deixou bem irritado. Nosso melhor player, esse tal de Balogun, não vai poder jogar contra a Bélgica. O sujeito é filho de imigrante e negro, meio constrangedor para meus apoiadores do MAGA, mas parece que ele é bom de bola. O que aconteceu? Também sofreu impeachment?

INFANTINO:- Não, o problema aí é outro. É que ele recebeu cartão vermelho no jogo contra a Bósnia e pelas regras não vai poder jogar na próxima partida.

TRUMP: - Vermelho? Só podia ser coisa de esquerdista. Quem foi o idiota que inventou esse cartão?

INFANTINO:- Foi um juiz brasileiro, Claus não-sei-o-quê.

TRUMP: - Juiz brasileiro? Só pode ser amigo do cabeça de ovo do STF. Ops, careca como você, nada pessoal. Foi mal. Será que ele é daquela organização comunista de que tanto falam, o PCC?

INFANTINO:- Não sei dizer, boss. Mas dizem no comitê que ele é competente.

TRUMP: - Pra mim é desonesto. Me dá o nome dele que eu vou mandar aplicar a Lei Magnitsky contra o canalha. Vamos congelar as contas dele. Quero ver ele fazer compras em Miami com o cartão vermelho dele.

INFANTINO:- O problema, Boss, é que a regra não permite que esse imigrante jogue contra a Bélgica, pois tem que cumprir um jogo de suspensão automática. Mas não se preocupe. Com base no princípio da ‘dúvida razoável’, nossos advogados desencavaram uma cláusula obscura do código disciplinar da FIFA combinada com o Bill of Rights do século XVIII alegando que o cartão feriu os direitos civis dos americanos, Conseguimos que ele cumpra pena só na Copa de 2046.

TRUMP: - Fantastic, my friend! Vá se preparando. Vou liberar seu Trump Gold Card de US$ 1 milhão e um mês de estadia gratuita para sua família no “Tren de Aragua Trump Resort” que estamos construindo na Venezuela.

 

 


segunda-feira, 6 de julho de 2026

ERA SÓ UMA BRINCADEIRA

Cara, na moral, foi só uma zoação. Olha o tamanho da confusão que armaram pra cima da gente, mano! Não dá pra entender esse povo fazendo essa zoeira toda. Dá um tempo! Parece que nunca tiveram 14 anos.

Era só para tirar um sarro da tia na sala de aula, meu. Essa chata que vive querendo enfiar um monte de caretice na cabeça da gente, uns papos de cidadania, respeito, sociedade, essas coisas. Uns troços nada a ver, que não dão futuro, não rolam grana, não dão engajamento nas redes.

A ideia bizarra surgiu do nada no recreio. Alguém lançou o desafio maneiro pra ver quem encarava botar os vidrinhos na garrafa de água da tia. O mais doidão assumiu a missão. Bora dar umas risadas.

A gente puxou o celular pra filmar e botar no Tik Tok. O vídeo ia bombar: sangue, gritaria, esse tipo de coisa sempre viraliza. Mais seguidores, mais visualizações, mais compartilhamentos. Os algoritmos iam pirar, kkkkk.

Pena que alguns deram pra trás e falaram pra ela que era melhor não beber da água abençoada. Arregaram bonito os traíras. A verdade é que ninguém tava nem aí no que ia dar pro lado da tia. Quando muito ela podia engasgar, sei lá, sangrava um pouco, nenhum drama. Tomava um belo susto pra ficar esperta e parar de encher o saco.

Podia dar coisa pior? Podia. Vai que a coroa empacotasse de vez. Azar dela. Fazer o quê? A gente não é coveiro.

Com o piti que a bruxa armou ao descobrir o lance, deixei cair o iPhone. Ainda bem que não detonou a filmagem. Quem ia pagar o preju, isso ninguém fala.

E ainda puseram a infeliz pra choramingar na internet, dizendo que não queria mais lecionar, ia precisar de tratamento, viajou na maionese. Esse lenga-lenga de vitimismo que a gente já tá por aqui. Vê se te enxerga, mulher! Vai cuidar de teu homem e para de bancar a coitada.

De qualquer jeito, não ia dar em nada. No máximo, um sermão sacal do diretor, uma suspensãozinha de uns dias, legal pra gente tirar uma folga em casa. E ficava por isso mesmo. No Brasil, ninguém fica na cadeia. Pra nós, menores então, a lei protege de qualquer punição.

Os otários falam como se a gente fosse bandido. Menos, né. E outra: o professor não é esse santo que vocês pintam. O cara que se mete a dar aula é um fracassado que não conseguiu trampo que dá grana, vive estressado, ganha um salário de merda e passa a sua vidinha miserável em cima de livros, achando que vai mudar o mundo. É um frustrado que só enche a gente de tarefa chata, manda guardar celular e ainda quer se meter em dar lição de moral.

O que não dá pra engolir é esse monte de trouxa fazendo discurso e caindo em cima. Do nada apareceu polícia, imprensa, quiseram envolver até nossos pais que não tão nem aí. Não tem a menor graça, meu. A gente ia lá saber que vidro cortava garganta e podia matar? Vamos dar um fim nessa tragédia, gente. Chega de mimimi!

E ainda tiraram do ar o vídeo antes de viralizar. Sacanagem...

Cadê a liberdade de expressão?