domingo, 30 de agosto de 2020

ROCK BRASIL OS 100 MAIORES ROCKS DO SÉCULO XX (3ª PARTE)

 

Segue a continuação do levantamento dos principais exemplares do rock ‘brazuca’, segundo dois aspectos: 1) receptividade do público traduzida por vendas e execução nas rádios; 2) relevância dentro do cenário musical.

Vamos à 3ª parte da lista, por ordem crescente:

 

41) ANGRA – CAROLINA IV


Formada em SP pelo vocalista André Matos (ex-Viper) e, em seguida, pelo guitarrista Kiko Lourenço, essa banda de power metal, cantando em inglês, faz mais sucesso no exterior (em especial no Japão). O primeiro disco, ANGELS CRY, gravado na Alemanha, revelou CARRY ON, o grande sucesso do grupo, além de uma insólita releitura de WUTHERING HEIGHTS, clássico da cantora Kate Bush. HOLY LAND (1996), álbum conceitual sobre as viagens ultramarinas que deram origem à descoberta do nosso continente, veio na sequência. Nele, o grupo abre espaço para sua brasilidade. CAROLINA IV, épico de 10 minutos, começa com uma saudação a Iemanjá e alterando o ritmo, insere até um trecho instrumental de Hermeto Pascoal.

 

42) CASA DAS MÁQUINAS – VOU MORAR NO AR

Os 3 álbuns (que abrigam estilos diversificados) fizeram lenda essa banda paulista. No álbum de 1974, o primeiro, predominam temas mais singelos, ecos da jovem guarda (herdados d’Os Incríveis, de onde proveio o baterista e líder Netinho). Evolui para o rock progressivo e psicodélico que prevalece no 2º álbum, LAR DAS MARAVILHAS (1975) em que a banda atinge a excelência. Fechando o ciclo, CASA DO ROCK (1976), onde o grupo ganha peso e assume o hard rock. VOU MORAR ... é a faixa de abertura do 2º álbum, com influências da cultura hippie nas letras, o que permeou aliás todas as fases do trabalho da banda.

 

43) 14 BIS – LINDA JUVENTUDE

Participante do chamado Clube da Esquina (movimento musical que, ao lado do tropicalismo, agitou a cena musical nos anos 60, após o fim da Bossa Nova), Flávio Venturini é um dos expoentes da MPB. Antes de firmar-se em sua carreira solo, capitaneou o Terço (a mais famosa banda nacional de rock progressivo) e posteriormente o 14 Bis com sonoridade similar porém mais pop. Essa banda mineira, apadrinhada por Milton Nascimento, cativou ao longo dos anos 80 um público fiel e cravou sucessos como NATURAL, PLANETA SONHO além de composições de Milton. LINDA JUVENTUDE de Venturini e Márcio Borges pertence ao álbum ALÉM PARAÍSO (1982) que traz também UMA VELHA CANÇÃO ROCK’N’ROLL.

 

44) BACAMARTE – PÁSSARO DE LUZ

DEPOIS DO FIM (1983) é um álbum conceitual da banda carioca Bacamarte que tem como tema o apocalipse. A obra é referenciada por sites internacionais que a equiparam à de gigantes do rock progressivo como os britânicos do Renaissance. Notabilizou-se também por trazer como vocalista ninguém menos do que Jane Duboc, quando menos conhecida. A cantora, à época já havia gravado dois álbuns de MPB (inclusive o aclamado LANGUIDEZ, seu melhor e mais refinado trabalho). O álbum intercala faixas instrumentais com faixas vocalizadas, como PÁSSARO DE LUZ, em que é possível se deleitar com a estupenda interpretação de Jane.

 

45) KARNAK – ALMA NÃO TEM COR

Essa banda non-sense foi um dos vários projetos musicais protagonizados por André Abujamra que incluem os grupos Os Mulheres Negras e Vexame, além da carreira individual (parte sob o pseudônimo de  Fat Marley), sem contar diversas trilhas e produção musical de programas na TV. O celebrado primeiro álbum do Karnak de 1995 (que teve participação, dentre outros, de Rolando Boldrin, Tom Zé, Chico César, Lulu Santos, Paulo Miklos, Paulinho Moska e Marisa Orth), mesmo boicotado pela mídia (à exceção de circuitos universitários), teve vendas em torno de 100 mil unidades. A canção anti-racista ALMA NÃO TEM COR é o destaque, tendo sido regravada por Zeca Baleiro, Chico César e pela banda portenha Perotá Chingó.

 

46) CÓLERA – MEDO

A banda de punk rock paulistana (idealizada pelo saudoso vocalista e instrumentista Redson), ainda que rejeitando os corrompidos esquemas midiáticos e das grandes gravadoras, obteve grande penetração entre os jovens, pregando mensagens de pacifismo, ecologia e direitos humanos. O LP PELA PAZ EM TODO O MUNDO  de 1986 (selo alternativo Ataque Frontal), o segundo da banda, conseguiu, com uma distribuição boca-a-boca e sem divulgação no rádio, bater nas 80 mil cópias, sendo eleito pela Rolling Stone, o segundo melhor do gênero. Desse álbum, destaque às faixas MEDO e VIVO NA CIDADE.

 

47) BLITZ – VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR

O grupo carioca que tinha em seus quadros Evandro Mesquita e Fernanda Abreu e, na bateria, Lobão, teve dois álbuns de bastante sucesso, AS AVENTURAS DA BLITZ (1982) e RADIOATIVIDADE (1983). A faixa VOCÊ NÃO ... do primeiro álbum, que alavancou as vendas do disco, rompeu os padrões convencionais com a utilização do ‘canto falado’ e de um linguajar coloquial e informal, típico da juventude carioca, onde os dilemas existenciais e relacionamentos sociais expressam-se por sexo, paqueras, chope e batata frita.

 

48) SOM NOSSO DE CADA DIA – MASSAVILHA

O celebrado SNEGS (1974), a principal obra do grupo paulista criado por Manito (que fora saxofonista e tecladista d’Os Incríveis com rápida passagem pelos Mutantes), foi um dos mais relevantes registros do rock progressivo brazuca.  Apesar da limitações do suporte disponibilizado pela Continental, gravadora nacional que bancou o projeto, o talento dos instrumentistas superou as deficiências técnicas. Na faixa MASSAVILHA, quase totalmente instrumental, a performance dos teclados de Manito faz lembrar o Emerson, Lake and Palmer. O grupo dissolveu-se após um segundo disco, voltando a se reunir em 1993 para gravar a faixa-bônus GUARANI para o relançamento em CD.

 

49) PATO FU – PERDENDO DENTES

A criativa banda mineira liderada pela vocalista Fernanda Takai desenvolve um rock soft com ingredientes de MPB e música eletrônica e letras inteligentes e debochadas como em PERDENDO DENTES, faixa do álbum ISOPOR (1999), o mais vendido do grupo. Por suas características, a banda é frequentemente comparada aos Mutantes. Nos anos 2000 lançou o curioso álbum MÚSICA DE BRINQUEDO com covers de canções conhecidas tocadas por instrumentos improvisados com sonoridade infantil. A revista Time mencionou o grupo como um dos melhores fora dos EUA.

 

50) ROUPA NOVA – WHISKY A GO GO

Menosprezado por seus açucarados temas românticos, o Roupa Nova tem no entanto pedigree: foi apadrinhado por Milton Nascimento (tendo sido inclusive batizado com uma canção sua). E uma estirpe roqueira, tanto que o primeiro single (quando ainda eram The Famks) foi HOJE AINDA É DIA DE ROCK de Zé Rodrix. Preferida por 10 em cada 10 festinhas de confraternização, WHISKY A GO GO está no álbum de 1984. A composição da dupla Sullivan  & Massadas homenageia o mega-hit Do You Wanna Dance? de Johnny Rivers (que se eternizou nas paradas nos 60’s). Foi tema da novela Um Sonho a Mais que teve seu título adequado para coincidir com a letra da canção.

 

51) INOCENTES – PÂNICO EM SP

Originária da periferia de SP, a banda é uma das pioneiras do punk rock nacional. No álbum PÂNICO EM SP de 1986 (um mini-LP de 6 faixas), o primeiro do gênero bancado por uma multinacional, a WEA, a canção-título é dedicada às neuroses que afligem a megalópole. Clemente, líder do grupo e autor desta e da maioria das faixas, é conhecido ativista cultural, tendo sido apresentador de programa na rádio Kiss sobre bandas brasileiras de rock e co-autor do livro “Meninos em Fúria” (ao lado de Marcelo Rubens Paiva). Passou depois a integrar o grupo Plebe Rude.

 

52) A COR DO SOM – FRUTIFICAR

O grupo é desdobramento dos Novos Baianos, com destaque para as performances instrumentais executadas por virtuoses como Armandinho, guitarra, Dadi, baixo e Mu, teclados. Chegou a se apresentar em Montreux, performance registrada em disco. Originalmente, mesclava rock com ritmos nordestinos e chorinho. Por exigência da gravadora, passou a inserir vocalizações, o que, embora tenha representado uma depreciação musical, possibilitou maior visibilidade junto à mídia. Foram justamente as faixas cantadas como ZANZIBAR, ABRI A PORTA e BELEZA PURA as que o tornaram mais conhecido. Dentre as faixas instrumentais, FRUTIFICAR do álbum homônimo (1979) é um arraso.

 

53) SÁ, RODRIX & GUARABYRA – HOJE AINDA É DIA DE ROCK

Os dois trabalhos do grupo que lançaram os alicerces do chamado “rock rural” (mescla de rock com música regional) são PASSADO, PRESENTE & FUTURO (1972) e TERRA (1973), recheados de clássicos do novo gênero como: AMA TEU VIZINHO COMO A TI MESMO, BLUE RIVIERA, MESTRE JONAS, ANOS 60 e HOJE AINDA É..., composta por Rodrix para o álbum de estreia. O conjunto teve vida curta: após o segundo disco, Zé Rodrix abandonou o trio que passou a ser a dupla Sá & Guarabyra, muito profícua, aliás. O trio viria a se reunir para um disco ao vivo em 2001 e para o último álbum de estúdio (2010), lançado logo após a morte de Rodrix.

 

54) VIOLETA DE OUTONO – OUTONO

Cultuada banda paulistana, começou fazendo um rock básico inspirado em renomadas bandas internacionais como Beatles, Stones e Pink Floyd. Todavia, influenciada pelo anárquico grupo franco-britânico Gong de Daevid Allen, um dos mitos do rock vanguardista, passou a adicionar novos ingredientes ao seu som. OUTONO, uma das canções preferidas dos fãs, é da primeira fase, do álbum de estreia de 1987. O guitarrista Fábio Golfetti, líder da banda e único integrante a permanecer desde a formação original, foi mais tarde convidado a integrar o GONG que tanto idolatrava.

 

55) RITCHIE – MENINA VENENO

Desde que aportou no Brasil onde se radicou, o britânico Ritchie vinha agitando o meio musical. Passou por dois importantes grupos de rock progressivo: A Barca do Sol e Vimana. Mas foi a partir de sua carreira solo que se tornou conhecido. Seu projeto era o de criar um som com base no synth pop de bandas como o SOFT CELL. O resultado superou as expectativas. MENINA VENENO colecionou recordes. O single foi o mais vendido de 1983, sendo a canção mais executada daquele ano. Puxado pelo hit, o álbum VOO DO CORAÇÃO (desse mesmo ano), teve vendas em torno de 1 milhão de cópias. Contém também os sucessos PELO INTERFONE, A VIDA TEM DESSAS COISAS e CASANOVA. O disco contou com a participação de Lulu Santos, Lobão (seus companheiros no Vinama), Liminha e do guitarrista Steve Hackett do Genesis.

 

56) METRÔ – BEAT ACELERADO

Iniciando como Gota Suspense, mais voltado para o rock progressivo, o Metrô identificado pelo inconfundível vocal de Virginie Boutaud, mudou de nome e rumos, assumindo uma pegada new wave, tornando-se aliás um dos expoentes nacionais do gênero. BEAT ACELERADO, o grande sucesso do grupo saiu em single, recebendo uma versão curta no álbum OLHAR (1985). Na década de 2000, através do celebrado álbum DEJA VU, o grupo mudou de estilo, incorporando ao seu som ingredientes como lounge, música eletrônica, bossa nova, samba e MPB.

 

57) SAGRADO CORAÇÃO DA TERRA – PANTANAL

Banda mineira de rock progressivo fundada pelo violinista, tecladista e compositor Marcus Viana que se notabilizou por sua temática ecológica e mística. Marcus que tem formação erudita segue em paralelo carreira individual (com maior ênfase à new age) que se confunde com a trajetória da banda, assinando também a trilha de filmes e novelas como Olga, Filhos do Vento e Xica da Silva. O belo tema de abertura de PANTANAL veiculada pela antiga TV Manchete integra o álbum FAROL DA LIBERDADE (1991), obra que conta com uma requintada musicalidade sinfônica.

 

58) RONNIE CORD – RUA AUGUSTA

O maestro e pianista Hervê Cordovil foi um dos mitos da música brasileira, tendo composições em parceria com mestres como Noel Rosa, Lamartine Babo, Luiz Gonzaga e Adoniran Barbosa. Sua vasta produção se estende a dois emblemáticos êxitos da Jovem Guarda, sob encomenda de seu filho Ronald Cordovil (conhecido como Ronnie Cord):  a versão de BIQUINI DE BOLINHA AMARELINHA e RUA AUGUSTA, enorme sucesso em compacto simples (1964), e relançada no álbum homônimo. A canção, uma das primeiras a ter versos vetados pela censura, retrata o fascínio da juventude da época pela velocidade e carangos envenenados. Foi surpreendentemente eleita pela Rolling Stone uma das músicas brasileiras de todos os tempos.

 

59) JOELHO DE PORCO – MARDITO FIAPO DE MANGA

Nos seus mais 20 anos de atividade e 4 álbuns que mesclam estilos que vão do rock ao tropicalismo, a escrachada banda paulistana passou por diversas formações (uma das quais incluiu Zé Rodrix), sendo considerada por sua atitude iconoclasta e irreverente precursora do punk. A mais conhecida canção é MARDITO... do primeiro álbum SÃO PAULO 1554/HOJE (1976). O LP 18 ANOS SEM SUCESSO de 1988 (o título traduz o descompromisso com as demandas do mercado) foi o derradeiro registro fonográfico da banda.

 

60)  JÚPITER APPLE – MISS LEXOTAN 6MG GAROTA

Depois de passar pelas bandas juvenis gaúchas TNT e Cascavelletes que fizeram sucesso mediano, Júpiter Apple (que, dependendo da fase, preferia ser Júpiter Maçã), numa linha diametralmente oposta, desenvolveu carreira individual, com destaque para o experimentalismo, a psicodelia, a música eletrônica e a bossa nova. A SÉTIMA EFERVESCÊNCIA (1997) foi saudado pela crítica como um dos mais instigantes álbuns nacionais. MISS LEXOTAN é desse disco, declaradamente inspirado no pirante The Piper at the Gates of Dawn, o primeiro álbum do Pink Floyd (sob a liderança de Syd Barrett). Jupiter lançaria mais 4 álbuns antes de falecer em 2015.

 

 

CONFIRA 1a PARTE

https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2020/08/rock-brasil-os-100-maiores-rocks-do.html 





 

 

 

 

Um comentário:

Calcenoni disse...

Meu preferido desses "Hoje é dia de Rock"