quinta-feira, 28 de novembro de 2024

URUGUAI

 

“Pobres no son los que tienen poco. Pobres son los que quieren mucho” (José Mujica)

Tivemos eleições no Uruguai. O país esteve em tal clima de tranquilidade que nem parece que se disputava a troca de comando. Sem turbulências, sem ameaças de rupturas, sem contestação de resultado das urnas.

Ganhou a esquerda. Ganhasse a direita, as coisas não seriam muito diferentes. Aliás, o revezamento do poder parece ser o combustível que mantém acesa a democracia por lá. O presidente Lacalle Pou não conseguiu eleger seu sucessor. Nem por isso fugiu para Miami, tramou golpe militar ou insuflou seus apoiadores a ocupar a Plaza Independencia, onde fica a sede da presidência. Civilizadamente parabenizou o vencedor e vai passar a faixa respeitando o ritual democrático, que há 4 décadas tem-se repetido religiosamente de 5 em 5 anos.

E a vida segue pulsando nesse estranho e admirável país em que, ao contrário do que acontece em certas repúblicas bananeiras, a direita e a esquerda são civilizadas e têm em comum o respeito às instituições que está acima de suas circunstanciais divergências ideológicas e que fazem do país um exemplo de estabilidade.

Os militares, depois que foram chutados do poder em 1985, não ousaram mais se intrometer na política. Mesmo porque o clima de belicismo entre as forças políticas se evaporou. Os temíveis tupamaros abandonaram as armas e participam da vida pública aceitando as regras do jogo democrático tradicional.

Também padres e pastores têm consciência da limitação de seu papel numa nação onde a laicidade do governo é levada a sério. O país tem por tradição impedir que membros das igrejas interfiram em assuntos de Estado. Sequer símbolos religiosos são permitidos em locais públicos. E cada cidadão pode exercer sua fé (ou falta dela) sem ser importunado pelos enxeridos e retrógrados Malafaias que atormentam nossa vida cá pra cima do Chuí.

Cercado por dois gigantes, Brasil e Argentina, que têm sofrido com tumultuados processos de polarização, o tranquilo povo uruguaio se vangloria em adotar em plena América Platina um modelo nórdico de civilização.

E as coisas não estão bem apenas na política mas também na economia. O país, quietinho, quietinho, já é o de maior renda per capita na região. A desigualdade social é baixa e a pobreza extrema foi erradicada, sem recorrer a revoluções armadas.

Não bastasse, tudo isso, nosso próspero vizinho sulista ainda está na linha de frente das conquistas sociais. Enquanto na república dos bolsominions e dos neopentecostais pleiteia-se a volta à Idade Média, o Uruguai orgulha-se em ter sido pioneiro em instituir o voto feminino e o divórcio, em reduzir a jornada de trabalho, em legalizar o aborto, em permitir a união homoafetiva.

Sem falar na política de combate às drogas, uma das mais avançadas do mundo. Lá todo mundo pode puxar um fuminho na rua sem provocar indignação dos ‘cidadãos de bem’. Liberada a cannabis, as autoridades notaram que não houve aumento de consumo entre os jovens e que o vício em álcool, droga aceita socialmente, é que era um problema bem maior. As gangues de narcotraficantes ficaram enfraquecidas e grande parte da grana que abastecia o crime organizado foi para o mercado legal.

Todos esses avanços foram chancelados por um povo progressista e bem informado. Não foi à toa que essa população agora elegeu para presidi-la não um militar, um policial, um pastor, um bilionário, um influencer ou um coach. E sim um professor de História!

E com tudo isso, os caras ainda se dão ao luxo de esnobar no futebol! Como pode um paiseco de 3,5 milhões de habitantes (menos gente do que a Zona Leste de São Paulo) ter conseguido faturar 2 copas do mundo? Desde que nos desbancou em pleno Maracanã em 1950, a Celeste nunca deixa de fazer bonito em torneios internacionais.  Os aguerridos hermanos são motivados pelo brio e pelo amor à camisa como já fomos há algumas décadas atrás, antes de ascender a geração de corpos moles comandada por Neymar, movida por grana e festanças.

Este é o Uruguai. E o perfeito retrato desse país responde pelo nome de José ‘Pepe’ Mujica. O ex-guerrilheiro que chegou ao poder pelo voto, teve a sabedoria de conduzir com serenidade as grandes mudanças que o país tem atravessado, firmando-se como modelo de governante no mesmo nível de Gandhi ou Mandela. Preso e torturado por 14 anos pelos militares, abdicou da vingança a seus algozes em nome de construir uma nação pacífica com instituições sólidas. Um homem único, um humanista, que abriu mão voluntariamente da fortuna e do prestígio que o cargo poderia lhe proporcionar para continuar vivendo humildemente no subúrbio de Montevidéu com seu fusca, seus vira-latas e sem celular. Este é o outsider que importa.

Hoje, gravemente enfermo, com 89 anos, teve a felicidade (talvez a última de sua existência exemplar) de entregar esse pequeno grande país para seu discípulo Orsi continuar sua obra de, sem alardes, fazer do Uruguai um exemplo para a América Latina e para o mundo.

 

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

ROCK BRASIL - OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (10ª PARTE)

 Segue a 10ª e última parte da relação dos 200 maiores rocks nacionais, segundo os critérios de receptividade do público e relevância dentro do cenário musical.

 

181) VELUDO – VELUDEANDO

Originalmente Veludo Elétrico, trata-se de uma das mais importantes e competentes bandas de rock progressivo que chegou a ter como integrante, em sua primeira fase, Lulu Santos. Está no mesmo nível dos maiores expoentes do gênero, Os Mutantes (fase Sérgio Dias) e O Terço. Sob recomendação de Nelson Motta, a Som Livre iria incluir a faixa BARRIGA DE FORA do grupo na trilha da primeira versão de Roque Santeiro, todavia a novela foi censurada e o disco abortado. Assim, a banda ficou sem ter nenhum registro fonográfico. Porém em 1995 foi lançado o álbum VELUDO AO VIVO referente à gravação de um show no teatro da FGV em SP em 1975. O disco, com participação de Sérgio Dias e Márcio Montarroyos, foi editado posteriormente também em LP, sendo lançada em 2018 uma versão dupla que inclui mais performances.

 

182) VIPS – A VOLTA

Essa música da dobradinha Roberto/Erasmo foi um dos grandes êxitos da Jovem Guarda. Aliás, a dupla paulistana formada pelos irmãos Ronald e Márcio, deve a Roberto e Erasmo outro grande hit, FAÇA ALGUMA COISA PELO NOSSO AMOR, além de É PRECISO SABER VIVER (esta última regravada pelos Titãs). Gravaram também inúmeras versões dos Beatles de que eram fãs, com destaque para MENINA LINDA (‘You Should Have Known Better’) – também gravada pelos Renato e Seus Blue Caps. A VOLTA liderou as paradas de sucesso de singles por semanas, estando entre as mais executadas no ano de 1966. A dupla deixou saudades, tanto que, retornando às atividades em 1990, gravou um álbum ao vivo pela Som Livre (A VOLTA, AO VIVO) que bateu nas 300 mil cópias!

 

183) HUMBERTO GESSINGER TRIO – O PREÇO

Trata-se de um projeto paralelo do frontman dos Engenheiros do Hawaii e que precedeu sua carreira solo iniciada com o álbum INSULAR (2013). Antes, o cantor, compositor e multi-instrumentista gaúcho ainda se aventurara ao lado do também gaúcho Duca Leindecker (Cidadão Quem) com o duo Pouca Vogal. O único álbum do HG3 (como era conhecido o trio) de 1996, composto por 12 faixas de autoria de Humberto, com sonoridade diferente do seu grupo de origem, teve vendas pífias, mas arrancou elogios da crítica e hoje se tornou uma raridade. O PREÇO foi a canção de destaque e a única que aportou no rádio, tendo também integrado o álbum ACÚSTICO MTV do Engenheiros (2004).

 

184) BLINDAGEM – ORAÇÃO DE UM SUICIDA

Banda setentista de rock, bastante popular em seu estado natal, o Paraná. Suas harmonias vocais lembram Sá, Rodrix & Guarabyra, com um ar meio hippie, próprio da época. Seu 1º álbum de 1981, lançado pela Continental, tornou-se famoso por abrigar diversas composições de Paulo Leminski. Sete das dez faixas do álbum levam a marca do famoso poeta curitibano, inclusive a de abertura, ORAÇÃO DE UM SUICIDA. O disco foi reeditado, incluindo-se a canção VERDURA, não presente na versão original, outra composição de Leminski conhecida na voz de Caetano Veloso (álbum OUTRAS PALAVRAS, 1980). Em 1997, a banda lançaria o álbum DIAS INCERTOS com a provocativa faixa tema, outro hit do grupo. A banda manteve-se ativa apesar da perda do líder Ivo Rodrigues, falecido em 2010.

 

185) ANDRÉ CHRISTOVAM – GENUÍNO PEDAÇO DE CRISTO

Provindo da banda Heróis do Brasil que acompanhou Kid Vinil em seu disco de 1986, o guitarrista e cantor paulista André Christovam, através do seu debut álbum, MANDINGA (1989), foi pioneiro na difusão do blues no país. Todas as 9 faixas foram por ele compostas (a edição em CD conta com mais 3 faixas, igualmente de sua autoria). O álbum conta com a participação de Roberto de Carvalho (guitarra e voz) e, na flauta, Flávio Guimarães, fundador da banda Blues Etílicos, outro expoente no gênero. Ainda que lançado pela pequena gravadora Eldorado, o disco alcançou expressivas vendas. A faixa GENUÍNO PEDAÇO DE CRISTO trata da indignação pelo roubo da taxa Jules Rimet no RJ.

 

186) RÁDIO TÁXI – EVA

Quem não lembra da grudenta canção EVA (“minha pequena Eva, o nosso amor numa pequena astronave”), sucesso absoluto do grupo Rádio Táxi do seu álbum de 1983, também gravado pela Banda Eva de Ivete Sangalo? Na verdade, era uma versão do original de Umberto Tozzi, que narra sob a perspectiva cristã (Adão e Eva, Arca de Noé) o futuro pós-apocalíptico, com a Terra reduzida a escombros e o fim da raça humana, em que um casal escapa da odisseia nuclear a bordo de uma astronave. O grupo paulista formado por ex-integrantes do Tutti Frutti (banda de apoio a Rita Lee) mais agregados, incluindo Wander Taffo, turbinado pela execução em trilhas de novelas, emplacou outros hits, GAROTA DOURADA, UM AMOR DE VERÃO, COISAS DE CASAL etc.

 

187) SARCOFAGO – NIGHTMARE

Ao iniciar suas atividades, a banda mineira de black metal imbuiu-se da modesta missão de criar a ‘música mais agressiva da história’. De fato, inspirado em grupos de metal extremo, hardcore e punk, seu 1º álbum I.N.R.I. (1987), tornou-se um clássico, referenciado inclusive no exterior sobretudo na Escandinávia onde o gênero teve maior penetração. A capa apresentava os integrantes do grupo com os corpos cobertos de braceletes, pulseiras de pregos e cinturões de balas em frente a um túmulo. As letras em inglês, repletas de palavrões e blasfêmias, louvavam orgias e cultos demoníacos. A banda encerrou as atividades na virada do século e, ironicamente, dois de seus principais membros, Wagner Lamounier e Geraldo Minelli tornaram-se respectivamente professor de Economia na UFMG e fiscal sanitário.

 

188) TELLAH – CONTINENTE PERDIDO

Essa banda de Brasília teve uma trajetória meteórica. Lançou um LP com míseras 1000 cópias em 1980 e poucos meses depois se desfez. O álbum tornou-se objeto de adoração no mundo progressivo, pela qualidade dos músicos e do repertório. Quando posteriormente, o rock ganhou evidência, com Brasília na ponta do movimento (Legião, Capital Inicial, Plebe Rude etc.), a veia progressiva do Tellah era vista como um peixe fora da água. Do único álbum, CONTINENTE PERDIDO (relançado em CD com 2 canções bônus), destaque para a faixa título e para uma versão de CAÇADOR DE MIM de Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, conhecida na interpretação de Milton Nascimento, além de 2 canções originais do grupo O Terço.

 

189) VELHAS VIRGENS – DE BAR EM BAR

Essa banda politicamente incorreta de São Paulo representa a face mais insana do rock. O negócio deles é ‘cerveja, mulher pelada e rock’n’roll’. Através de uma sonoridade contagiante que remete aos clássicos do rock anos 70 e do blues, soltam a franga em canções ‘angelicais’ como SÓ PRA TE COMER, VAMOS BEBER, ABRE ESSAS PERNAS, VOCÊS NÃO SABEM COMO É BOM AQUI DENTRO, A MINHOCA QUE ACENDIA O RABO, ENFIA NI MIM, ESSE SEU BURAQUINHO e por aí afora. No álbum de estreia, FOI BOM PRA VOCÊ? (1991), destaque para a faixa DE BAR EM BAR com a participação de Marcelo Nova, Eduardo (‘o bom’) Araújo e Pit Passarelli do Viper.

 

190) DULCE QUENTAL – NATUREZA HUMANA

Escutando a cantora e compositora carioca em sua carreira solo, mal é possível associar ao grupo juvenil Sempre Livre do hit SOU FREE em que, no início de sua carreira, era a vocalista. Como compositora, foi gravada por artistas de diversas vertentes (Barão Vermelho, Heróis da Resistência, Cidade Negra, Cazuza, Ana Carolina, Simone, Leila Pinheiro) sem contar as parcerias (Zélia Duncan, Celso Fonseca, Paulinho Moska). Como intérprete, arriscou em composições de Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e Arnaldo Antunes. Suas referências internacionais estão para grupos sofisticados e elegantes como Style Council e Everything But the Girl. Mas o maior sucesso veio com o improvável cover de Michael Jackson, NATUREZA HUMANA de seu primeiro álbum DÉLICA. Do 2º álbum, VOZ AZUL, emplacou CALEIDOSCÓPIO de Herbert Vianna. 

 

191) PERFUME AZUL DO SOL – 20.000 RAIOS DE SOL

NASCIMENTO (1974) é um daqueles casos curiosos de um disco obscuro lançado em tiragem reduzidíssima que, com o tempo, torna-se lendário. A banda paulista foi um projeto paralelo do músico Pedro Baldanza, conhecido baixista do grupo Som Nosso de Cada Dia. Reza a lenda que foram prensadas apenas 150 cópias pela pequena gravadora Chantecler, distribuídas para um grupo de chegados. Com o crescimento do interesse pelo material, foi depois feita nova prensagem de 500 cópias em vinil que já se tornaram raridades. O grupo mistura rock progressivo, guitarras distorcidas e ritmos regionais com uma forte dose de psicodelismo. Logo após a gravação do álbum, o grupo foi desfeito.

 

192) TRIO ESPERANÇA – A FESTA DO BOLINHA

Conjunto vocal formado no RJ pelos irmãos Mário, Regina e Evinha, também manos de 3 dos 4 Golden Boys. Com a saída de Evinha entrou outra irmã, Marizinha. Fez sucesso com a petizada da Jovem Guarda com canções como FESTA DO BOLINHA (de Roberto e Erasmo Carlos), PASSO DO ELEFANTINHO (original de Henry Mancini para o filme Hatari) e GASPARZINHO (do irmão Renato Correia). Mas o maior sucesso foi FILME TRISTE (1963), original de “Sad Movies”, da cantora Sue Thompson que levou muitas adolescentes às lágrimas e cujo compacto chegou ao topo da parada. Evinha fez carreira solo na MPB, obtendo êxito com CANTIGA PARA LUCIANA, CASACO MARROM e TELETEMA, partindo depois para França onde trabalhou como crooner da orquestra de Paul Mauriat.

 

193) RUMBORA – MAPA DA MINA

Com uma criativa mistura de rock, ska e reggae, o Rumbora foi aposta da gravadora Trama para emplacar uma banda de relevo no fim dos anos 90. Assim como tantos, provinha de Brasília, berço de bandas que atingiram o estrelato a nível nacional. Foram lançados 2 álbuns no final do século, 71 (que se refere ao ano em que todos os integrantes da banda nasceram) e EXÉRCITO POSITIVO E OPERANTE que revelou hits como MAPA DA MINA e VESTE O UNIFORME (uma versão de BORN TO BE ALIVE, famoso tema dançante de Patrick Hernandez), álbuns respectivamente 1999 e 2000. O Rumbora foi um dos grupos de rock que alcançou relativamente bom desempenho nessa   época que o ritmo se encontrava em refluxo (final dos anos 90), após o estouro na década anterior.

 

194) SAECULA SAECULORUM – ACQUA VITAE

O violinista e compositor mineiro Marcus Viana, líder da celebrada banda de rock progressivo Sagrado Coração da Terra, afamado por suas trilhas sonoras, como a do filme “Olga” e a da novela “Pantanal” (TV Manchete) teve uma obscura experiência anterior. Trata-se do grupo Saecula Saeculorum, banda efêmera (1974 a 1977), que registrou suas experimentações musicais apenas em fitas demo. Em 1996, atendendo ao interesse pelo material, foi feita a masterização transportando para um CD lançado em 1996 pelo selo Sonhos & Sons. Além de Viana, o grupo era composto por 4 virtuoses com destaque para o exímio pianista Giacomo Lombardi que bebeu na fonte de grupos italianos como o Premiata Forneria Marconi e o Banco del Mutuo Soccorso.

 

195) TIANASTACIA – CABROBÓ

O SOL com o Jota Quest foi a música mais tocada no rádio de 2006, tendo sido também gravada por ninguém menos do que Milton Nascimento. O que poucos sabem é que se trata de uma canção do Tianastácia, nome baseado na personagem de Monteiro Lobato. Na interpretação do grupo mineiro, o grande sucesso foi CABROBÓ, faixa de abertura de ACEBOLADO, seu álbum estreia pelo selo Cogumelo (o mesmo que lançou o Sepultura para o mundo). Ao assinar com a EMI, o grupo conseguiu abrangência nacional com TÁ NA BOA (1999), álbum produzido por Marcelo Sussekind (Herva Doce), com uma pegada mais roqueira. CABROBÓ recebeu um arranjo incrementado e um clipe de divulgação, turbinando sua execução em rádio. O álbum contém também uma releitura de CONTO DE FRALDAS de Tom Zé.

 

196) PIN UPS – SONIC BUTTERFLIES

A Stiletto, responsável por pérolas do rock inglês dos anos 80 (Joy Division, Cocteau Twins, Bauhaus) apostou nessa banda formada em Santo André, SP, como representante nacional do selo, deixando a produção a encargo de Thomas Pappon (do cultuado grupo Fellini), lançando o álbum, TIME WILL BURN (1990), o primeiro do grupo (lançado apenas em vinil). A discografia é extensa para uma banda de indie rock, cujas referências eram Stooges e Jesus & Mary Chain, aí incluindo-se a ‘trilogia cinematográfica’ - álbuns JODIE FOSTER (1995), LEE MARVIN (1997) e BRUCE LEE (1999). Apesar das vendas baixas, o grupo alcançou prestígio, criando uma base sólida de fãs.

 

197) QUINTAL DE CLOROFILA – BALADA DA AUSÊNCIA

O duo gaúcho formado pelos irmãos Dimitri e Negendre Arbo gravou um único disco, O MISTÉRIO DOS QUINTAIS, em 1983, com uma sonoridade que remete a bandas inglesas de folk e rock progressivo. Ainda que não tenha obtido grande repercussão, a obra é referenciada elogiosamente em sites especializados. O grupo se utiliza de elementos da música regional, andina, oriental e medieval. As 2 mil cópias do álbum lançadas no mercado nacional evaporaram-se, tornando-se raridade, tendo sido editado em CD apenas na Argentina e na Europa. Destaque para a faixa BALADA DA AUSÊNCIA. Há também uma música em homenagem aos Beatles (LIVERPOOL).

 

198) OKOTÔ – GIVE ME YOUR MONEY

Após um disco de estreia de música eletrônica e cantado em português, a banda Okotô de Campinas, SP, deu uma virada com o cultuado MONSTRO (1993), álbum com uma pegada de rock pesado e cantado totalmente em inglês. GIVE ME YOUR MONEY, faixa de abertura, tornou-se famosa graças a um videoclipe gravado pela MTV. No álbum, também uma versão de WHOLE LOTTA ROISE, clássico do AC/DC. A banda era liderada pela guitarrista e vocalista nipônica Cherry Taketani, famosa por seu visual agressivo com cabelos coloridos e parcialmente raspados e por sua interpretação visceral, tendo falecido de câncer em 2017, durante uma excursão à Rússia.

 

199) WILSOM SIDERAL – NÃO PODE PARAR

O grande sucesso do artista mineiro pouca gente sabe que é dele. FÁCIL, um dos maiores hits da banda Jota Quest é uma parceria entre o líder da banda, Rogério Flausino e Sideral que são... irmãos, fato que também muitos desconheciam. Outros sucessos do grupo, NA MORAL e JÁ FOI também têm o dedo do cantor, compositor e guitarrista. Sideral desenvolveu carreira própria e seu único álbum lançado antes da virada do século, “1” produziu o hit NÃO PODE PARAR. O artista teve que lutar contra sua dependência de cocaína e outras drogas, o que prejudicou seu desenvolvimento artístico.

 

200) HARRY – GENEBRA

Uma pequena loja encravada no centro de SP, a Wop Bop, desempenhou importante papel na produção e divulgação de rock nacional. A loja criou um selo pelo qual passaram artistas fundamentais além da cena mainstream como Violeta de Outono, Fellini, May East e Vzyadoq Moe. O grupo santista Harry, comandada pelo guitarrista Johnny Hansen, também esteve atrelado ao selo underground que lançou o EP CHAOS (1987) e o álbum FAIRY TALES (1988). Ainda que com pouca repercussão comercial, o disco, cantado em inglês, tornou-se referência por ecoar entre nós a vanguarda do pós-punk do Joy Division e da música eletrônica do Kraftwerk. Em 2014, a banda relançaria o álbum com uma versão mais pesada chamada ELECTRIC FAIRY TALES.

 

 

APÊNDICE

Com dor no coração, alguns nomes que mereciam figurar na relação ficaram de fora devido à limitação do espaço. A eles nossas sinceras desculpas:

APOCALYPSE

HOJERIZAH

CHAVE DO SOL

LITTLE QUAIL

VOLKANA

TEQUILA BABY

CASCAVELLETES

TANGOS & TRAGÉDIAS

CABOCLADA

KORZUS

PÃO COM MANTEIGA

MATUSKELA

MARCELO NOVA

IMPACTO 5

LS JACK

NAÇÃO ZUMBI (PÓS CHICO SCIENCE)

O PESO

AKIRA S E AS GAROTAS QUE ERRARAM

AZUL 29

AGENTSS

AVE DE VELUDO

GAROTOS DA RUA

ROSA TATOOADA

ABSYNTHO

DETRITO FEDERAL

DR SILVANA

REBANHÃO

HOLOCAUSTO

BANDA DO 4º MUNDO

BANDA DO SOL

CENTÚRIAS

NEI VAN SORIA

NERVOCHAOS

TUTTI FRUTTI

ACÚSTICOS E VALVULADOS

EDU K

AUTORAMAS

TONY PLATÃO

COWBOYS ESPIRITUAIS

BIG ALLANBIK

HARPPIA

COQUETEL MOLOTOV

HATEEN

PRAVDA

PETER PERFEITO

VIRNA LISI

ABORTO ELÉTRICO

BASEADO EM BLUES

OVERDOSE

RENATO & SEUS BLUE CAPS

ULTRAMEN

EVANDRO MESQUITA

MÓDULO 1000

VZIADOQ MOE

CRIS BROWN

VARSÓVIA

PHOLHAS

e muitos mais...

 

 

OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (6ª PARTE):

https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2024/11/rock-brasil-os-200-maiores-rocks.html

 

OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (7ª PARTE):

https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2024/11/rock-brasil-os-200-maiores-rocks_17.html

 

OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (8ª PARTE):

https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2024/11/os-200-maiores-rocks-nacionais-do.html

 

OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (9ª PARTE):

https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2024/11/rock-brasil-os-200-maiores-rocks_25.html

 

OS 100 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX:

  https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2020/08/rock-brasil-os-100-maiores-rocks-do.html

 

 

 

 

 

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

ROCK BRASIL - OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (9ª PARTE)

 

Segue a 9ª parte da relação dos 200 rocks nacionais, segundo os critérios de receptividade do público e relevância dentro do cenário musical.

 

161) IVINHO – PARTIDA DOS LOBOS

A noite brasileira do Festival de Jazz de Montreux de 1978 levou para a Suíça 2 célebres atrações: A Cor do Som e Gilberto Gil. Poucos, porém, conheciam aquele guitarrista cabeludo e franzino de tênis e roupa surrada que abriu a performance. Ivinho fez uma memorável apresentação, segundo consta totalmente de improviso, acompanhado do percussionista Djalma Correa e saiu ovacionado. Os 3 shows foram vertidos para o vinil pela Warner (no caso de Gil, duplo). O de Ivinho foi o único que não saiu em CD. Ainda assim, Ivson Wanderley firmou-se como um dos grandes guitarristas brasileiros de todos os tempos. O LP de Montreux tornou-se o único registro fonográfico do músico, falecido em 2015, integrante do grupo pernambucano Ave Sangria, e que tocou com Alceu Valença e Zé Ramalho.  Destaque para a faixa PARTIDA DOS LOBOS que ocupa todo o lado B do bolachão.

 

162) PENÉLOPE – NAMORINHO DE PORTÃO

A cantora e guitarrista Erika Martins, uma das gratas revelações do rock feminino brasileiro, esteve à frente do simpático grupo baiano Penélope (originalmente Penélope Charmosa, baseado na personagem do famoso desenho Corrida Maluca dos anos 60), predominantemente feminino. Seu disco MI CASA, SU CASA (1999) pela Sony deixou saudade com sua divertida combinação de ‘música chiclete’ com new wave, na linha do B-52s. O álbum contou com a participação de Tom Capone (também o produtor) e Eumir Deodato nos arranjos. O maior sucesso, a faixa NAMORINHO DE PORTÃO do repertório de Tom Zé, foi gravado também por Gal em sua fase tropicalista. Após mais 2 álbuns posteriores a 2000, o grupo encerrou as atividades (mas continuou se apresentando em shows) e Erika partiu para a carreira solo.

 

163) OLHO SECO – DESESPERO

O álbum GRITO SUBURBANO (1982) é considerado um dos mais importantes manifestos do movimento punk, sendo eleito pela Rolling Stone o 4º melhor disco do gênero, lançado inclusive na Europa. O disco traz 3 pioneiras bandas paulistas: Cólera, Inocentes e Olho Seco. Os Inocentes conseguiram um contrato com a Warner, obtendo boa visibilidade com o mini-LP PÂNICO EM SP. O Cólera, através de um esquema de divulgação boca a boca conseguiu formar um grande público, sobretudo com o álbum PELA PAZ EM TODO MUNDO que por uma gravadora independente vendeu mais de 80 mil cópias. O OLHO SECO não teve a mesma sorte, apesar de ser reconhecidamente uma das primeira e mais autênticas bandas de punk, apresentando-se inclusive no histórico festival “O Começo do Fim do Mundo” no Sesc Pompeia (1982), organizado por Antônio Bivar. Seu disco mais famoso é o EP BOTAS, FUZIS, CAPACETES (1983).

 

164) DORSAL ATLÂNTICA – CAÇADOR DA NOITE

Banda de trash metal que foge aos estereótipos do gênero. Foi precursora do estilo no país, tendo influenciado até conjuntos do primeiro escalão como o Sepultura. Ao contrário dos grupos congêneres, focados em temáticas épicas desligadas da nossa realidade, a banda carioca assume com clareza um posicionamento político explícito, colocando o dedo na ferida das chagas sociais do país. ANTES DO FIM (1986), lançado por um selo independente, foi o primeiro dos 6 álbuns antes da virada do milênio (sem contar o EP ULTIMATUM de 1985, dividido com a banda Metamorphose). O disco, ficando no limite entre o punk e o metal, é um petardo perturbador que até hoje impressiona pela crueza, como na faixa de abertura, CAÇADOR DA NOITE.

 

165) LENO – JOHNNY MCCARTNEY

A dupla adolescente Leno e Lílian foi um dos expoentes da Jovem Guarda com temas românticos. Passada a fase, cada um seguiu seu caminho. Leno (cujo verdadeiro nome é Gileno) deu uma guinada completa em sua carreira, gravando em 1971 o álbum VIDA E OBRA DE JOHNNY MCCARTNEY, ao lado de ninguém menos do que Raul Seixas (à época, Rauzito) que, além de produtor e arranjador, canta, toca guitarra e é coautor de boa parte das faixas. Foram convocados também os amigos Golden Boys, Renato & Seus Blue Caps, Trio Ternura, A Bolha e a banda uruguaia Shakers (do hit Never Never Never). O que surpreende é que se tratava de um disco de protesto que aborda temas como repressão, tortura e reforma agrária. Quase todas as faixas foram vetadas pela censura (inclusive uma canção POBRE DO REI da dupla Marcos e Paulo Sérgio Valle), o que inviabilizou o lançamento. O álbum só foi recuperado na íntegra em 1995.

 

166) ELIS REGINA – VELHA ROUPA COLORIDA

O que estaria a musa da MPB (justo ela que liderou uma passeata contra a guitarra elétrica), fazendo nessa seleção de rock? Nem tanto: a cantora gaúcha começou sua carreira fazendo... rock. Seu primeiro álbum VIVA A BROTOLÂNDIA (1961) foi concebido para fabricar uma nova Cely Campello. A partir daí, a carreira da Pimentinha derivou para outros rumos. Mas, cavoucando o repertório, pode-se encontrar pelo menos 2 exemplos de que, se Elis se empenhasse em cantar rock, não sobraria pra nenhuma outra: a versão de DEUS LHE PAGUE de Chico Buarque com um arranjo essencialmente roqueiro (álbum TRANSVERSAL DO TEMPO, 1978) e VELHA ROUPA COLORIDA de Belchior (álbum FALSO BRILHANTE, 1976), em que a comportada Elis solta a voz desbragadamente.

 

167) FLAVIOLA – O TEMPO

FLAVIOLA E O BANDO DO SOL de 1974, único disco lançado pelo cantor e compositor Flaviola (Flávio Lira) é uma preciosidade que emergiu da efervescente cena psicodélica recifense dos anos 70. Participam Lula Cortes, Robertinho do Recife, Paulo Rafael (do Ave Sangria) e o flautista e produtor cultural Zé da Flauta, todos envolvidos no movimento ‘udigrúdi’ recifense. O disco tornou-se um mito da contracultura brasileira, cobiçado por colecionadores de pérolas inclusive no exterior, sendo lançado na Europa (LP e CD) pelo selo britânico Mr. Bongo. O interesse foi tanto que mereceu em 2020 relançamento em vinil, remasterizado, pela Polysom. Flaviola, que também é poeta, musicou no álbum trechos de poemas de Shakespeare, Garcia Lorca, Maiakowski e da poetisa mineira Henriqueta Lisboa. Na delicada O TEMPO, de 1 minuto e meio, o lirismo lisérgico do artista pernambucano.

 

168) PICASSOS FALSOS – CARNE E OSSO

Essa banda carioca surgiu em meio a uma profusão de grupos que pegaram carona na maré oitentista, porém com o diferencial de não se restringir ao rock, mas explorar sonoridades de gêneros variados, inclusive os autenticamente nacionais como o baião e o maracatu. Cada integrante tinha queda para um ritmo (rock inglês, MPB, samba, blues, funk etc.), o que explica o ecletismo do material produzido. Gravou 2 brilhantes álbuns, o autointitulado de 1987 e SUPERCARIOCA de 1988. Do primeiro, sobressaíram-se as 2 primeiras faixas, CARNE E OSSO (com a participação de Alvil L) e QUADRINHOS.

 

169) RECORDANDO O VALE DAS MAÇÃS – AS CRIANÇAS DA NOVA FLORESTA

A banda nascida em Santos, SP e domiciliada em MG, lançou em 1977 o álbum AS CRIANÇAS DA NOVA FLORESTA, abrangendo temas bucólicos e místicos. A qualidade dos arranjos, da instrumentação e da vocalização impressiona. Em 1992, lançaram uma 2ª edição do mesmo álbum com versões exclusivamente instrumentais, mantendo a capa. Lançado no exterior, o álbum foi bem recebido sobretudo na França e no Japão. A faixa que dá nome ao álbum é uma suíte de 18 minutos dividida em 4 seções. O álbum consagrou-se como uma das principais obras de rock progressivo nacional.

 

170) KRISIUN – CONQUERORS OF ARMAGEDDON

Essa banda nascida no interior do Rio Grande do Sul tornou-se uma das mais bem sucedidas no exterior. É recorrentemente citada em sites internacionais como uma das principais representantes do ‘death metal’ ou ‘metal extremo’, gênero a que se conservaram fieis, influenciados por grupos como Kreator, Sodom, Morbid Angel e Slayer. A banda manteve-se em atividade ao longo dos anos 2000, cada vez conquistando maior prestígio. Antes da virada do século, lançou 3 álbuns, mas obteve maior alcance com o 3º, CONQUERORS OF ARMAGEDDON (2000), gravado na Alemanha, graças ao suporte proporcionado pela gravadora Century Media Records, com destaque à faixa-título de 6 minutos de duração.

 

171) FINIS AFRICAE – ARMADILHA

Brasília foi um polo importante para o surgimento de bandas do calibre do Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, pertencentes à linha de frente do rock nacional. FINIS AFRICAE, embora não alcançando o mesmo nível de exposição, conquistou o apoio dos conjuntos acima referidos. A intercedência de Renato Russo, por exemplo, rendeu contrato com a EMI para lançamento de seu 1º (e único) disco de estúdio (1987) que contou com o mesmo produtor dos álbuns do Legião, vendeu 50 mil cópias e revelou o hit ARMADILHA (originalmente lançado em EP). A banda tinha o diferencial de agregar ao seu som influências do pós-punk com suingue. 2 anos depois, o grupo se dissolveu mas voltou a se reunir para gravar em 2002 um CD ao vivo com o mesmo repertório, para compensar que o álbum original só saíra em vinil.

 

172) SEMPRE LIVRE – EU SOU FREE

EU SOU FREE foi uma das canções pop de maior sucesso nos anos 80, o maior hit da banda new wave carioca Sempre Livre (menção ao célebre absorvente íntimo), integrada exclusivamente por mulheres, mais ou menos na linha das Frenéticas (cujo produtor, aliás, foi o mesmo) e inspirado nas americanas Runaways. A canção, lançada originalmente em compacto, fez parte do disco de estreia, AVIÃO DE COMBATE (1984) que revelou mais 2 hits: ESSE JEITO SEXY DE SER (parceria com Evandro Mesquita) e FUI EU de Herbert Vianna, regravada pelos Paralamas. Da primeira formação, saiu a cantora Dulce Quental que desenvolveu carreira solo, distante do som do grupo de origem.

 

173) GRAFORREIA XILARMÔNICA – AMIGO PUNK

A canção AMIGO PUNK, um verdadeiro hino gaúcho, pode ser definida como uma ‘milonga-rock’, repleta de referências sulistas que só quem é da capital dos pampas pode captar (‘chinoca’, ‘coxilha’, ‘sestear’, ‘cordeona’, gauderiada’, ‘bolicho’, ’avenida oswaldo aranha’, ‘parque farroupilha’). Trata-se de composição dos integrantes Frank Jorge e Marcelo Birck, dois ícones do rock gaúcho. Foi o maior hit desse grupo caracterizado por dar toques de música nativista do Rio Grande do Sul com ritmos que lembram o iê-iê-iê e letras irreverentes e inteligentes, pertencente ao álbum COISA DE LOUCO II de 1995 (selo Banguela Records da WEA). A canção foi gravada também por Wander Wildner e pelo grupo Ultramen.

 

174) O SURTO – A CERA

O sucesso estrondoso de A CERA (‘Que me Pirou o Cabeção’) gerou uma repercussão interessante: como o som e o linguajar do ainda pouco conhecido O Surto, eram semelhantes ao do Charlie Brown Jr, mais afamado, a música era creditada pelos ouvintes ao grupo santista, inclusive no youtube onde a falsa referência circulava direto, tendo dezenas de milhões de acessos, muito mais do que a verdadeira, fenômeno apelidado de ‘Efeito Mandela’, que atesta como as babélicas redes sociais repercutem informações falsas. O que é real nessa história é que A CERA, faixa do 2º álbum do grupo cearense, TODO MUNDO DOIDO, lançado em 2000, foi a música mais executada do ano, motivando até referências elogiosas da revista Rolling Stone americana e motivou o convite para o grupo se apresentar no Rock in Rio, abrindo o show do RHCP. Pode crer.

 

175) MAYBEES – ONION TASTE HATER

O grande diferencial desse grupo paulista eram suas referências que, ao contrário da maioria das bandas nacionais que cantam em inglês, não eram grandes nomes do hard/heavy/pós-punk ou progressivo mas grupos mais voltados para o pop rock que tinham vocais femininos como Cranberries, Pretenders ou 10.000 Maniacs. Com essa proposta, gravaram 2 álbuns independentes, o segundo dos quais, PICTURE PERFECT (2000) contou com a participação de Edgard Scandurra e Fernanda Takai (faixa ONION TASTE HATER). Os álbuns venderam pouco mas conseguiram ampla repercussão junto à crítica. Com o fim dos Maybees, os integrantes viriam a se reagrupar em 2003 cantando agora em português, formando a prestigiosa banda Ludov.

 

176) WANDERLÉA – FOI ASSIM

O programa Jovem Guarda, apresentado nas tardes de domingo pela TV Record no período 1965/68, sob o comando de Roberto Carlos, assessorado por Erasmo e Wanderléa, foi um marco para o surgimento do rock nacional. A ‘Ternurinha’ era considerada a rainha do movimento, emplacando os hits PROVA DE FOGO, PARE O CASAMENTO, EU JÁ NEM SEI, TE AMO e FOI ASSIM. Essa última, composição dos irmãos Renato e Roberto Corrêa (dos Golden Boys), sobre um amor frustrado (não confundir com o sucesso homônimo de Fafá de Belém), saiu como faixa bônus do CD A TERNURA DE WANDERLÉA (1966), voltando a fazer sucesso ao ser incluída na trilha da novela Rainha da Sucata (1989), numa versão recauchutada. A canção também nomeou uma biografia sobre a cantora. Passada a Jovem Guarda, Wandeca partiu para um repertório mais ambicioso, tendo inclusive trabalhado com Egberto Gismonti de quem foi namorada.

 

177) DEVOTOS – ALIEN

A banda hardcore com um toque de reggae (mas sem se desvincular da cultura regional) Devotos é tão importante para os recifenses que foi declarada ‘patrimônio cultural imaterial’ da cidade devido à sua forte atuação social nas regiões mais carentes da capital pernambucana. Sua concepção é de que não dá para separar a arte da militância.  Originalmente ‘Devotos do Ódio’ (que passava uma imagem de cultuadores da violência, oposta à proposta agregadora do grupo), a banda lançou no ano 2000 aquele que seria seu principal álbum, produzido por Dado Villa-Lobos (Legião) e que traz uma releitura de SELVAGEM dos Paralamas com a participação de Herbert Vianna. Participam do álbum também Ras Bernardo (Cidade Negra) e Tony Platão. O destaque é a faixa ALIEN com letra do vocalista e baixista Cannibal, líder do grupo. 

 

178) MATUTO MODERNO – MILHAR NA CABEÇA

A banda, como o próprio nome indica, faz uma fusão de música regional de raiz com rock, da viola caipira com a guitarra elétrica, de Tião Carreiro com Jimi Hendrix, passando também por ritmos folclóricos como a catira e o pagode de viola. A banda é liderada pelo violeiro e compositor paulista Ricardo Vignini, pesquisador de música tradicional que concebeu o projeto MODA DE ROCK, com versões de bandas como Metallica, Iron Maiden e Pink Floyd.  O Matuto lançou diversos álbuns, mas o único antes da virada do século foi BOJO ELÉTRICO (destaque para MILHAR NA CABEÇA) de 2000. No repertório dos shows entram uma composição feita em parceria com André Abujamra (TOPADA) e KASHMIR, clássico do Led Zeppelin.

 

179) LÚCIA TURNBULL – AROMA

Reconhecida como ‘primeira guitarrista brasileira’, a paulistana Lucinha tem vínculos com Rita Lee (com quem formou, ao lado do grupo Tutti Frutti, o duo Cilibrinas do Éden, primeira experiência de Rita após seu desligamento dos Mutantes), e com Gilberto Gil (participando dos álbuns REFAVELA e REFESTANÇA). Aliás, é de Gil seu maior sucesso composto especialmente para ela, AROMA,  que também nomeou o álbum que a contém (1980), o único de sua carreira. Participou de álbuns icônicos de MPB e rock nacional ao lado de Caetano, Guilherme Arantes, Moraes Moreira, Erasmo, Luli & Lucina, Demônios da Garoa. Formou também o grupo Bandolins ao lado de Péricles Cavalcanti e Rodolfo Stroeter.

 

180) CABINE C – NESTE DESERTO

Cabine C foi uma banda diferenciada formada em SP voltada para o gótico e o pós-punk inglês na linha do Siouxsie & The Banshees com letras baseadas em clássicos da literatura (Edgar A Poe, Baudelaire, Rimbaud). Gravou FÓSFOROS DE OXFORD (1986) pelo pequeno selo RPM, montado pelo pessoal do conjunto homônimo de Paulo Ricardo, o único álbum do grupo e o único da gravadora que, por falta de estrutura, encerrou as atividades. O Cabine C possuía, de início, uma formação invejável. Comandado por Ciro Pessoa (Titãs), contava com sua esposa Wanda Forghieri, Charles Gavin (Titãs), Edgard Scandurra (Ira!) e Sandra (Mercenárias). O álbum teve pequena repercussão comercial, mas foi bem recebido pela crítica, tornando-se cultuado no circuito underground.

 

 

 

 

OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (6ª PARTE):

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OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (7ª PARTE):

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OS 200 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX (8ª PARTE):

https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2024/11/os-200-maiores-rocks-nacionais-do.html

 

 

OS 100 MAIORES ROCKS NACIONAIS DO SÉCULO XX:

  https://oquedemimsoueu.blogspot.com/2020/08/rock-brasil-os-100-maiores-rocks-do.html